O esporte, quando inserido no contexto escolar, transcende a mera prática física e se consolida como uma ferramenta pedagógica e social de grande relevância. Ao promover a integração, a disciplina, o respeito e o trabalho em equipe, ele contribui significativamente para a formação integral do estudante. Em um cenário educacional cada vez mais desafiador, compreender o papel do esporte como elemento de transformação é essencial para políticas públicas e ações escolares eficazes.
Diversos estudos científicos demonstram que a prática esportiva está diretamente ligada ao aprimoramento das funções cognitivas e ao desempenho escolar. Segundo o Journal of Pediatrics, crianças que se envolvem em atividades físicas moderadas a intensas apresentam melhores resultados em disciplinas como matemática e leitura (TRUDEAU; SHEPHARD, 2012). Isso se deve à melhora na oxigenação cerebral e ao aumento da produção de neurotransmissores que estimulam a atenção e a memória.
No Brasil, uma pesquisa conduzida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apontou que estudantes que praticam esportes regularmente apresentam maior rendimento acadêmico e menor índice de evasão escolar (MENDES, 2020).
A escola é um espaço de convivência e formação social. O esporte contribui para a socialização ao estimular a cooperação, o respeito às diferenças e o trabalho em equipe. De acordo com relatório da UNESCO (2015), práticas esportivas escolares bem estruturadas contribuem para a diminuição de casos de bullying, melhoram o ambiente escolar e fortalecem vínculos entre os alunos.
Além disso, o esporte é um instrumento eficaz no enfrentamento da indisciplina, pois promove o autocontrole e a valorização de regras coletivas (GONÇALVES; ALMEIDA, 2017).
O esporte nas escolas também atua como mecanismo de inclusão social, especialmente para alunos em situação de vulnerabilidade. Ele permite o protagonismo do jovem, promove autoestima e, muitas vezes, é o principal canal de acesso à cultura, ao lazer e a oportunidades acadêmicas por meio de bolsas esportivas.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2021), 31,9% dos estudantes brasileiros de 6 a 17 anos praticam esportes regularmente, sendo a escola o principal ambiente onde essa prática acontece. No entanto, a desigualdade no acesso a espaços adequados e profissionais qualificados ainda representa um desafio.
A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2010) recomenda pelo menos 60 minutos diários de atividade física para crianças e adolescentes. O ambiente escolar é ideal para essa prática, favorecendo a prevenção de doenças crônicas, obesidade e sedentarismo.
No campo da saúde mental, a atividade física tem papel comprovado na redução de sintomas de depressão e ansiedade (WHO, 2021). Em tempos de pós-pandemia, essa dimensão torna-se ainda mais relevante, considerando o aumento de transtornos emocionais entre adolescentes (FIORUCCI; LIMA, 2022).
O esporte nas escolas deve ser entendido como componente fundamental do processo educativo. Seus impactos positivos na aprendizagem, socialização, inclusão e saúde física e mental justificam a necessidade de maior investimento em infraestrutura, formação docente e políticas públicas que garantam sua presença contínua e qualificada na educação básica.
Valorizar o esporte escolar é investir na formação de cidadãos mais conscientes, saudáveis e integrados à sociedade.
Gabriela Koppes - Secretária de Esportes RUGE
[Fontes: FIORUCCI, F.; LIMA, R. S. Impactos da pandemia na saúde mental de adolescentes e o papel do esporte escolar. Revista Brasileira de Educação Física Escolar, São Paulo, v. 8, n. 2, p. 45-59, 2022.
GONÇALVES, A. P.; ALMEIDA, J. C. A influência do esporte na disciplina escolar: estudo de caso em uma escola pública. Revista Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, Campinas, v. 21, n. 1, p. 101-110, 2017.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Prática de esporte e atividade física no Brasil: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2021. Rio de Janeiro: IBGE, 2022.
MENDES, L. F. O esporte como aliado da aprendizagem: um estudo em escolas públicas do interior paulista. 2020. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2020.
TRUDEAU, F.; SHEPHARD, R. J. Physical education, school physical activity, school sports and academic performance. International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, v. 9, n. 1, p. 1-12, 2012.
UNESCO. Quality Physical Education: Guidelines for Policy-Makers. Paris: UNESCO, 2015.
WHO – WORLD HEALTH ORGANIZATION. Guidelines on physical activity, sedentary behaviour and sleep for children under 5 years of age. Geneva: WHO, 2019.]
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