Todos sabemos que a democracia começa na escola.
É nesse espaço de convivência e aprendizado que muitos jovens, como eu, têm a oportunidade de vivenciar, pela primeira vez, o exercício do voto, da escuta e da representação, Meu primeiro contato com a democracia ativa aconteceu ali, no chão da escola pública, onde votei em uma ficha de papel para escolher a chapa do grêmio estudantil. Logo depois, participei de uma eleição com urna eletrônica.
A sensação era a mesma de uma eleição nacional: expectativa, responsabilidade e a certeza de que minha voz tinha peso.
Esse processo, que pode parecer simples para alguns, foi determinante para minha trajetória. Foi naquele ambiente, dentro da escola, que eu, Jorge Araújo, me descobri como líder. Foi ali que aprendi que política não se faz só com microfone ou discurso bonito, mas com diálogo, escuta atenta, olhar coletivo e, sobretudo, com ação concreta. A escola foi meu primeiro parlamento, meu primeiro campo de mobilização, meu primeiro espaço de exercício pleno da cidadania.
A importância da participação juvenil nos espaços democráticos não está apenas em preparar futuros eleitores, mas em formar sujeitos históricos conscientes do seu papel transformador. A juventude precisa se entender como parte ativa da construção social, não como expectadora. Por isso, defender e fortalecer os grêmios estudantis, os fóruns juvenis, os conselhos escolares e todas as formas de organização dentro e fora da escola é essencial para uma democracia viva e pulsante.
Foi nos corredores da escola que desenvolvi meu senso de compaixão, que aprendi a me colocar no lugar do outro, a ouvir quem pensa diferente e, ao mesmo tempo, a não abrir mão dos meus princípios. A política, para mim, passou a ser uma forma de amar o social. Amar o coletivo. Amar a possibilidade de mudar realidades com o outro, nunca sozinho.
Desde então, nunca mais deixei de acreditar na potência da juventude organizada. Não por utopia, mas porque vi com os próprios olhos o que acontece quando jovens se levantam para lutar por merenda digna, por professores respeitados, por uma escola viva e participativa. Vi estudantes liderando campanhas, construindo espaços de escuta, denunciando injustiças e propondo soluções reais.
Hoje, na liderança da Rede Unificada de Grêmios Estudantis, carrego comigo todas essas experiências. Continuo acreditando que a base da democracia está nas escolas. Continuo defendendo que a juventude precisa ser ouvida, respeitada e colocada no centro das decisões que impactam seu presente e futuro. Não existe democracia real sem participação juvenil.
Por isso, reforço: a democracia não é um sistema distante, nem uma ideia abstrata. Ela é concreta, cotidiana e precisa ser cultivada desde cedo. Que cada escola seja um território de formação política. Que cada jovem seja incentivado a levantar a mão, fazer perguntas, votar, ser votado e sonhar coletivamente.
Foi assim que comecei. É assim que seguimos. Porque o futuro da democracia passa pelas mãos e vozes da juventude brasileira. E não há nada mais poderoso do que isso.
Jorge Araújo - Presidente da RUGE
( fonte: art. de discurso pessoal de Jorge André de Araújo paixão)
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